CRAAM – Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie

História

 

As pesquisas científicas e tecnológicas do Centro de Rádio-Astronomia e Astrofísica Mackenzie, CRAAM, que integra a Escola de Engenharia, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, abrange atividades qualificadas nas áreas da engenharia e da física, correlacionadas com geofísica e espaço. O CRAAM apresenta longo histórico no contexto da ciência brasileira, o qual em si justificou a implementação do Programa de Pós Graduação em Ciências e Aplicações Geoespaciais. O CRAAM originou-se em 1960, como Grupo de Rádio Astronomia Mackenzie – GRAM da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Mackenzie, incorporando as atividades experimentais de um grupo de estudantes de física, engenharia, técnicos, e aficionados da Associação de Amadores de Astronomia, São Paulo, iniciadas desde 1958. Suas atividades em pesquisas e pós-graduação foram pioneiras no Brasil, nas áreas de rádiociências, incluindo rádio-astronomia, física solar, relações solares-terrestres, física da ionosfera, astrofísica, instrumentação rádio-científica e ciências espaciais.


As atividades experimentais levadas junto ao Planetário do Ibirapuera (até 1964), prosseguiram nas instalações da CNAE, atual INPE, em São José dos Campos (1964-1965), consolidando-se no Rádio-Observatório do Umuarama, em Campos do Jordão, SP (1965-1970). Em 1970, as atividades foram transferidas para o Rádio Observatório do Itapetinga, Atibaia, SP, onde em 1971 foi construído o rádio-telescópio de precisão para ondas milimétricas de 13.7-m, na época um dos mais avançados existentes no mundo.


Em 1970-1973, as atividades de pesquisas do CRAAM foram aprovadas como Centro de Excelência pelo CNPq e o Curso de Pós-Graduação em Astrofísica da Universidade Mackenzie foi credenciado pelo Conselho Federal de Educação, do MEC. A partir de 1977, as atividades de pesquisa e de pós-graduação do CRAAM passaram a ser desenvolvidas pelo CNPq em Convênio com o Mackenzie. O CNPq foi posteriormente sucedido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE ao final dos anos 80.


Nos anos 70 o CRAAM promoveu levantamento de propagação de ondas VLF em todo território nacional, em cooperação com o Centro Técnico Aeroespacial da Aeronáutica. No verão 1982-1983 o CRAAM participou da primeira missão brasileira a Antártica, contribuindo com as primeiras medidas de propagação VLF naquela região, a bordo do navio “Barão de Teffé” em cooperação com a Marinha do Brasil. Em 1989, o CRAAM integrou o Centro de Radioastronomia e Aplicações Espaciais, um consórcio tendo como parceiros, a USP, a Unicamp e o INPE. Entre as principais realizações alcançadas por esta parceria estão o laboratório de geodésia espacial, operando a antena de 14,2-m em Eusébio (CE), o Rádio Telescópio Solar Submilimétrico - SST, operado nos Andes Argentinos, e os experimentos ionosféricos na estação científica brasileira Comandante Ferraz instalada na Antártica. A grande antena de 13,7-m do Itapetinga, Atibaia, recebeu completa reforma física, elétrica e eletrônica, promovida pelo Mackenzie, com recursos do MCT- FINEP, no período 1994-2007.


A fase pioneira das atividades de pesquisa e desenvolvimento em rádio-astronomia, radiociências e geofísica espacial foi viabilizada mediante contratos, convênios, auxílios, destacando-se o CNPq, a FAPESP, o Escritório Norte-Americano de Ciência para a América Latina e doações de pessoas físicas como Alberto Marsicano (para construção dos primeiros rádio-telescópios) e Waldemar Clemente (doador do terreno do Rádio-Observatório do Itapetinga, Atibaia). Nas fases posteriores destacaram-se os recursos das agências FAPESP, CNPq, BNDE-FUNTEC (construção do rádio-telescópio de 13,7-m do Itapetinga), FINEP (a grande reforma do Itapetinga), agências estrangeiras como o NOAA(EUA), a NASA (EUA), CNES (França), CONICET(Argentina) e, mais recentemente, o Mackpesquisa e o US AFOSR. As atividades atuais envolvem pesquisas, orientação de estudantes em iniciação científica e pós-graduação, através de acordos e convênios com instituições brasileiras (Unicamp e INPE, principalmente).


Todos os projetos vigentes são listados mais adiante. Destacam-se os projetos que integram o Laboratório de Heliogeofísica no Complejo Astronômico El Leoncito mediante convênio, Andes Argentinos (o telescópio solar para ondas submilimétricas, os telescópios solares para o infra-vermelho médio e para o visível; rádio-telescópios polarimétricos para patrulhamento solar em ondas milimétricas; monitor de raios cósmicos; detectores de campo elétrico da atmosfera; estações de rastreio de ondas VLF); o Rádio Observatório do Itapetinga, Atibaia, SP (operado mediante convênio com INPE); o Rádio Observatório Espacial do Nordeste, Eusébio/Fortaleza, Ceará, dedicado a geodésia espacial (operado mediante convênio entre AEB e NASA, Contrato NASA-Mackenzie, cooperação com INPE); a rede de estações de rastreio de ondas VLF no Brasil e América do Sul (rede SAVNET); os desenvolvimentos de sistemas sensores para a faixa THz de freqüências (em cooperação com o CCS da Unicamp); os projetos de fotômetros solares THz a serem transportados por balões estratosféricos em vôos de longa duração (cooperação com a Universidade da Califórnia em Berkeley e em Santa Barbara, o Instituto Lebedev de Física de Moscou); análise das curvas de luz obtidas pelo satélite CoRoT; novo sistema de georeferenciamento brasileiro.